segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Beira-Mar

Perdi a noção do tempo e refiz em mim meu eu no teu
Voltei as horas, encontrei refúgio nas janelas pardas do teu olhar
O meu abrigo correu receoso e no álgido dilúvio fez de nós beira-mar.

Descansei o coração e do ciclo despertou decepção
Cresci naquele instante e deparei-me com teu tom amargo a me encarar
Fechei minha alma e por razão, no emaranhado azul coloquei-me a nadar

Chorei o corpo, extenuado, no brilho fraco te encontrei
Parei no esquecimento, lancei-me ao vento e nos braços castos me vi pousar
Sorri tua ausência, e no fim da tormenta fiz de ti imenso mar.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Divino Torpor

Amargo fragmento de dor, precipita-se sem nenhum pudor
Escasso sentimento de temor, delibera-se num tímido torpor
Lúcida visão de amor, no rastro, perpétuo dissabor
Venerável encantamento de pesar, sublime forma põe-se a cultuar

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Flor de Poesia

Doce aurora, flor de poesia, teus olhos brilham índigo como noite em mar, num sereno balançar. Teu sorriso imaculado regressa escoltado no encalço de um singelo despertar. Deleitável crepúsculo de terna perdição, tens no âmago a ambição e guarda amor no coração. De eterna delicadeza compõe teu ser e de paixões proibidas se faz viver.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Solitude

Por um tempo deixei de escrever-te e passei a acreditar que a dor cessaria, por ventura, as lembranças morreriam e tu te tornarias memória, os fatos não seriam lembrados e toda aquela amargura residiria no passado.Quem sabe outrora não me recordaria dos teus olhos pintados de céu e banhados de mar, o sorriso insípido não haveria de ser notado e tua presença imaculada se faria contemplada. Todavia, a mim nada restaria, senão a temeridade para encarar essa eterna e amarga solitude.